Brasília, 30/04/2018 – Você acredita que possa haver vida em outro planeta? Ou que extraterrestres podem já ter visitado a Terra? É no intuito de responder essas e outras perguntas que os profissionais da Força Aérea Brasileira (FAB) guardam relatos, áudios, fotos e vídeos de Objetos Voadores Não Identificados (Ovnis) feitos por civis e militares. Esses documentos são enviados para o Arquivo Nacional (AN), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, que além de guardá-los, cuida da preservação e os deixa acessíveis ao público.

O Arquivo Nacional tem hoje em seu acervo 743 registros sobre a aparição de Ovnis no Brasil. Isso não quer dizer que foram vistos 743 discos voadores e sim qualquer objeto no céu que não foi possível descobrir de imediato sua origem natural. Ou seja, um Ovni nesse caso pode ser um drone, uma estrela, um satélite, um balão meteorológico ou até mesmo um fenômeno natural.

Entre os registros do AN, a primeira ocorrência é de 1952 e a última, de 2016. Os arquivos estão disponíveis para qualquer pessoa, que pode visitar a unidade do AN, em Brasília, ou acessá-los pela internet, no site do Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), onde todos estão digitalizados.

Primeiro registro
A primeira documentação da aparição de um Ovni no Brasil aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e foi registrada com nove imagens fotográficas. O objeto é comparado à nave DC-5 na primeira foto. Porém, as outras fotografias mostram que ele tinha formato de disco, lembrando um prato. O responsável pela equipe de processamento técnico do acervo da Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal (COREG) e
técnico em assuntos culturais do AN, Raynes Castro, conta que há suspeitas de montagem nas fotografias, mas que, particularmente, ele não acredita na hipótese. “Acho pouco provável. Para mim elas são originais. Até porque naquela época não existia manipulação de imagens como existe hoje em dia”, afirma Raynes.

Noite Oficial
Os documentos mais famosos sobre o assunto foram coletados na Noite Oficial dos Ovnis, que ocorreu no dia 19 de maio de 1986. Nessa mesma data foram detectados cerca de 21 objetos voadores não identificados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). Cinco jatos da FAB foram enviados
para persegui-los, mas nenhum obteve sucesso.

Tudo começou quando o operador da torre do Aeroporto de São José dos Campos, São Paulo, observou pontos luminosos que mudavam de cor, com a predominância da tonalidade vermelha, e perguntou ao piloto Alcir Pereira se ele estava vendo a mesma coisa.

Após a confirmação de Alcir, a Torre de Controle de São Paulo captou sinais sem identificação e o Cindacta I, em Brasília, detectou Ovnis nos radares de Goiás, de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por causa da velocidade dos objetos, o Centro de Operações de Defesa Aérea (CODA) decidiu enviar os caças para persegui-los e interceptá-los. Porém, nenhum dos cinco caças conseguiu chegar perto dos Ovnis.

O Arquivo Nacional possui áudios e o relatório oficial do que aconteceu nesse dia. Os documentos confirmam que se tratavam de objetos sólidos e que demonstravam, de certa forma, inteligência.

Último registro
O último documento registrado e enviado para o Arquivo Nacional foi um vídeo, em 2016, realizado por um civil, que relatou ter visto clarões e um objeto sem identificação.

Além dos registros de objetos não identificados, outros 114 temas estão disponíveis para pesquisa no Arquivo Nacional. O acervo tem acesso online por meio do Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN). O analista técnico do AN, Tobias Vasconcellos, adverte para a facilidade de acesso ao site sem sair de casa. “É muito fácil. Basta fazer um cadastro e entrar no SIAN. É bem mais prático analisar todos esses arquivos do seu próprio computador”, ensina Tobias. Fonte:  Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN).